quinta-feira, 26 de junho de 2008
Lembrando-me de mim
“Hoje acordei com saudades
De voar na imensidão de mim mesma
E entre meus guardados,
Procurei minhas asas
- houve um tempo em que voava -
E me perdia numa estranha alegria
Escutando o vento
Agora outra vez
Pelo céu quero voar
E, por sobre a muralha desta vida,
Construir meu momento.
Sem medo,
Deixar-me envolver na mais doce loucura
Lançar-me nesse vazio,
E absorver o silêncio profundo e vasto
Que me dá todas as respostas
Hoje quero voar
Libertar o coração das amarras,
Deixá-lo livre
Para desvendar os horizontes
Viver o sonho mais sonhado.
E, num ato encantado,
dormir no colo da lua.”
Atravessando os meus temporais
"Andei pra chegar tão longe
Daqui de longe eu olhei pra trás
E foi como ver distante
Eu atravessando os meus temporais
Sonhei muito diferente
Eu bati de frente, corri atrás
E foi como se eu soubesse
Inverter o tempo e arriscar bem mais
Andei pra chegar mais longe
E de lá de longe me ver feliz"
Lenine
terça-feira, 17 de junho de 2008
How Can I Go On
When all the salt is taken from the sea
I stand dethroned, I'm naked and I bleed
But when your finger points so savagely
Is anybody there to believe in me
To hear my plea and take care of me?
How can I go on, from day to day
Who can make me strong in every way
Where can I be safe, where can I belong
In this great big world of sadness?
How can I forget those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're nowhere to be found
How can I go on?
Sometimes I seem to tremble in the dark, I cannot see
When people frighten me
I try to hide myself so far from the crowd
Is anybody there to comfort me
Lord, take care of me
How can I go on
From day to day
Who can make me strong
In every way
Where can I be safe
Where can I belong
In this great big world of sadness
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're nowhere to be found
How can I go on?
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Pra acalmar
e esperneio e grito e me debato tanto
que o meu corpo, atônito, se locomove
dança, corre, caminha
arruma a casa e trabalha e dorme
pra apagar o fogo que o queima de dentro sem poder sair!
Eu quero a vida, a liberdade, o amor, a alegria
de que o meu corpo desfruta às vezes
e de quando em vez
eu só queria
um dia
dançar, correr, caminhar
arrumar a casa e trabalhar e dormir
como ele faz
e deixá-lo fazer tudo isso
em paz.
sábado, 17 de maio de 2008
A Ilha
Ah! Quem me dera ir-me contigo agora
A um horizonte firme -- comum, embora!
Ah ! Quem me dera amar-te sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar que nem presumes!...
Ah! Quem me dera ver-te sempre ao meu lado
Sem precisar dizer-te, jamais: "cuidado"!
Ah! Quem me dera ter-te, como um lugar
Plantado num chão verde para eu morar-te!
Ah! Quem me dera ter-te,
Morar-te até morrer-te.
(Vinicius de Moraes, "O Mais-que-Perfeito")
Como não dá pra simplesmente desplugar e ainda há agravantes como o karma, depois que o mar secar e você perceber que não existe ilha e mar, somente ilha, provavelmente a melhor coisa a fazer é procurar mais amor. Aí começa o perigo: há gradações de amor e, pra piorar, há também quantidade! Claro que um amor dos bons suplanta todo o resto e faz desaparecerem mar e ilha, e tudo se torna amor. Mas isso já é um absurdo e um excesso, que todos nós já provamos (azar de quem não provou, porque é bom!), mas do qual não queremos uma segunda dose. Ah, ok, tá bom, queremos sim.
Voltando ao perigo: eu acho que nenhum amor começa em sua plenitude. Vai crescendo. E é muito bom ter paciência quando for buscá-lo de novo, porque dificilmente o novo amor vai ter de imediato o mesmo sabor, a mesma abrangência e causar o mesmo pulsar, no corpo todo e na mente, que aquele outro, excessivo (bah), causava.
Em suma: nada de estragar o novo amor (seja lá a que for!) com desapontamentos derivados de expectativas imprudentes.
U2 - "Window in the Skies"
Falando de amor, aproveitei pra me vingar do U2, que proibiu que o YouTube permitisse (afe, nunca mais direi uma coisa dessas) a incorporação desse vídeo inacreditável. Taí, inseri no meu blog. Vão encarar? Amo vocês, nem que seja à força!!!
O exótico parágrafo acima (esse aí, sobre o U2) traz à luz sentimentos como vingança, opressão, ciúmes e violência, que têm sido espertamente vinculados por alguns ao amor, mas que estão mais para a satisfação do ego do que da alma -- e que, portanto, guardam uma distância infinita do verdadeiro amar.
Amar, como eu já disse, deve ser limpo, transparente, correto, justo e, se possível, perfeito.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Quando penso que esqueci
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa,
sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço à raça da pedra dura.
(João Bosco, "Memória da Pele")
sábado, 5 de abril de 2008
A Revelação de Anna e Willis e as Notas Acessórias
“Tão reduzidos estão que sequer perceberam que o telhado da casa sumiu”.
“Vamos falar com eles? Já começamos, então vamos terminar isso”.
“Tem certeza”?
“Sim”.
“Então que seja”.
Chamamos a atenção dos quatro e os retiramos do estado de exclusiva visão do inferior; descemos e nos reduzimos e, num instante, tínhamos a forma humana. Eles estavam estarrecidos, claro, mas entenderam imediatamente que algo absolutamente novo estava acontecendo. E sentiram o perigo. E esperaram que falássemos.
Acalmamos a todos e o casal mais velho saiu. Ficamos com Anna e Willis na ante-sala decorada no estilo sóbrio, simples e alegre da classe média norte-americana dos anos 70.
“Bem, vocês têm o seu grande problema nas mãos. Isso não vai ser fácil”.
Anna tinha os olhos muito abertos e a expressão apreensiva. Willis sentia-se perdido.
“Vocês amam-se muito, não”?
Não era preciso responder a isso.
“Fariam qualquer coisa um pelo outro”?
Eles entreolharam-se.
"Qualquer coisa que fosse lícita, moralmente correta, e exclusivamente entre vocês dois”?
“Sim”.
“Willis, parta”.
Ele foi.
“Anna, Willis vai viajar. Durante essa viagem, ele morrerá. Você receberá de volta as coisas dele, em uma sacolinha de algodão cru. Três objetos apenas, e mais uma coisa que somente você saberá que está ali. Resista e vocês serão recompensados. Tenha paciência. No quinto ano, você receberá boas notícias, quando a sua dor já tiver sido dominada. Adeus, pequena. Persevere”.
No tempo certo, a sacolinha chegou, e Anna viveu a sua dor. Willis não voltaria. Mas ela teve confiança; a confiança fez com que sua dor fosse aceita e, assim, isso não a matou. E ela pôde, aos poucos, voltar a viver.
No quinto ano, Anna esperava um filho. Era um menino lindo e, quando nasceu, Anna viu novamente a sacolinha guardada e, nela, uma mecha – os fios do sinal que Willis tinha na coxa esquerda. A criança tinha um sinal igual e sorria para ela como Willis sorriria ao voltar para casa.
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Notas acessórias do despertar de 5 de abril de 2008:
A imagem é de que, nesta vida, nossa vida em conjunto é um casulo cheio de um amor triste. É um casulo saudável, vivo, luzidio e forte, que almeja, como todo casulo, tornar-se ninfa e, depois, vir a ser algo maior. Mas que percebe permanecer um casulo: saudável, vivo, luzidio, forte; precioso, sim, mas sempre um casulo triste.
sábado, 29 de março de 2008
Amigos
Depois, no Pio XI, fiquei amigo de um garoto cujo nome eu nunca soube realmente. Ele sabia o meu, e eu tinha vergonha de perguntar: achava que tinha obrigação de saber o nome dele. Fiquei chamando de 51, que era o número dele na chamada. Éramos ambos retardatários e ficamos no fim da lista. Meu número era 55. Ele era um dos sujeitos mais legais que já conheci.
No CECA comecei a fazer uma quantidade maior de amigos. Vou tentar enumerar alguns: havia Luciano, com quem eu trocava golpes de judô e karatê no horário do intervalo, rolando no chão aos apertões, socos de mentirinha e alguns pontapés. Era um amigão, sujeito bem-humorado e de grande espírito esportivo. Foi com ele que fui pela primeira vez ao teatro, fazer um teste para ator, que não deu lá muito certo.
Havia os rapazes que lideravam o movimento no colégio, e que me aceitaram entre eles -- penso que nem tanto pela minha habilidade atlética, mas principalmente pela minha incomum generosidade durante as provas e disponibilidade total para compartilhar conhecimento. Lembro agora de Robson, Zaqueu, Wanderley e Roginério; das gêmeas Glória e Gorete, Valéria, Gêneva e uma amiga que perdi por haver dado um chega-pra-lá num guri chato que depois soube ser irmão dela. Ah, e Zé Carlos, que tinha um bruta som e morava perto do colégio. Fiquei amigo de alguns dos amigos do meu primo Paulo, como Clóvis, e chegamos a formar uma banda de rock chamada NoPloCló (hahahahahahaha) que dispunha de um baixo feito de isopor, uma bateria composta por várias panelas e caixas de papelão, e um gravador pra gravar nossos rocks heavy metal berrados por mim em um inglês engraçadíssimo, imitando Robert Plant.
Vieram depois os amigos do Lyceu. Meus três anos de segundo grau me proporcionaram um número de novas amizades que ultrapassa minha capacidade de lembrar de todos eles. Basicamente, eu queria a amizade do pessoal do Grupo Folclórico, do Coral e do pessoal que fazia música no colégio, como Dida Fialho, Tom Ray, Lis e um grupo de Jaguaribe com o qual tive o privilégio de tocar algumas vezes. Houve os amigos do Grupo de Flauta Doce do SESC: Joaquim, Berna (através de quem tive o privilégio de conhecer Fernandito, hoje Fernando Pintassilvo) e Roderick.
Conheci Milita, Soraya, Tadeu Mathias, Marta, Gorete Irineu, Espínola.
Depois, já na faculdade de Economia, trabalhando pra manter minha nova família (Mônica e Kaio) conheci Saulo Barreto, Dr. Guilherme Rabay, Dr. Carneiro Braga e Dona Lígia, Hugo Brito, Emídio, Ilene Helfand e aqueles que seriam os amigos que a distância não separa e o tempo não apaga: Sérgio Carneiro e Paulo Machado.
Este post não se dedica às grandes almas que namorei, mas algumas das pessoas que tive o privilégio de namorar tornaram-se minhas amigas pela vida afora: Jê, Verinha, Mônica.
Minha péssima memória me impede de lembrar de muitas e muitas outras pessoas que, em alguma época, aqueceram meu coração e marcaram a minha alma com sua amizade. Irei acrescentando os nomes à medida que as lembranças forem voltando ou quando justos protestos se fizerem ouvir. Peço a compreensão dos que ainda não enumerei aqui.
Minha vinda para Brasília tinha a finalidade de arranjar-me um novo futuro, já que em João Pessoa não havia muitas oportunidades de trabalho para mim. Aqui conheci muita gente com quem trabalho até hoje. Fiz algumas boas amizades no trabalho, como Marcelo Gurgel, Eduardo Dantas, Marcelo Kasbergem, Álvaro Valente, Laércio Atuati.
Conheci as pessoas simples e muito amáveis do Planat: chegaram a preparar uma festa-surpresa no meu segundo casamento, na casa do querido João Batista. Jaime Lennon, Elias, Lili...
Infelizmente, hoje em dia sinto-me incapaz de dar profundidade às minhas amizades. Talvez o clima de Brasília favoreça o descompromisso e as amizades puramente de trabalho. Ou talvez, mais provavelmente, o problema seja eu mesmo.
Sinto falta de ter amigos. Mas a culpa é minha: gosto mesmo é de ficar em casa e durante todo o tempo em que vivo em Brasília fiquei centrado apenas no trabalho e na minha família, que era o meu mundo todo: Claudia e Victor.
Depois da separação procurei fazer novas amizades, e conheci pessoas muito muito simpáticas na Comunidade do Vinho. Voltei a alimentar a enorme amizade dos meus irmãos. Procurei expandir meus horizontes, mas ainda há muito trabalho a fazer até que eu seja novamente digno de ter amigos. Faltam-me, hoje em dia, as principais faculdades para conquistá-los e mantê-los: dedicação generosa, consideração e franqueza. Tornei-me um poste ou uma parede. Espero poder sair de dentro de mim logo, antes que a vida passe. Gostaria de ter alguns amigos que dissessem dois ou três elogios no meu funeral.domingo, 23 de março de 2008
Errante
Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.
Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura…
Meu coração não chega lá decerto…
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto…
Eu tecerei uns sonhos irreais…
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!
segunda-feira, 17 de março de 2008
Poema de aquecer o coração em três quartos
E desabrir a vida
E desatar a brida
E derrubar a porta
E acompanhar a massa
e reverter a mossa
e pra ninar promessa
e devolver as horas
e esquecer da dor.
Também é bom pra esquecer do amor
E ruminar o verso
E refazer o ser
E arrumar a casa
E se aninhar na asa
E perfumar a rosa
E acordar em paz.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Quase falei
sábado, 1 de março de 2008
Does Your Life Have a Vision or are You Blowing in the Wind?
The E-Myth Revisited - Michael E. Gerber
"Great people have a vision of their lives that they practice emulating each and every day.
They go to work on their lives, not just in their lives.
Their lives are spent living out the vision they have of their future, in the present. They compare what they’ve done with what they intend to do. And where there’s a disparity between the two, they don’t wait very long to make up the difference.
They go to work on their lives, not just in their lives.
I believe it’s true that the difference between great people and everyone else is that great people create their lives actively, while everyone else is created by their lives, passively waiting to see where life takes them next.
The difference between the two is the difference between living fully and just existing. The difference between the two is living intentionally and living by accident".
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Longe e Perto
E, no entanto, chegar parece uma daquelas operações em que se divide um número pela metade, e o resultado novamente pela metade, repetindo a operação infinitamente, chegando-se cada vez mais próximo do zero, sem nunca chegar.
Talvez eu esteja, em Congonhas, mais perto do meu lar do que quando, finalmente, chego em casa.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Encontros e Despedidas
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O Blackout do Messenger
Folha Online - 27/fev/2008 - Internautas em várias partes do mundo tiveram dificuldades para acessar o Windows Live Messenger, o antigo MSN, ontem (26). Alguns usuários não conseguiam se conectar ao programa ou demoraram para conseguir o acesso.
Deu no Tuvalu Times
Vários venusianos foram vistos arrancando as antenas dos satélites em órbita da Terra, só pra ver os aparelhos brigarem uns com os outros.
As mães deles (dos venusianos, não dos satélites) reclamaram e eles foram pra casa fazer as tarefinhas do colégio mas, só de pirraça, voltaram depois com sprays pra pichar o site da Microsoft. Aborrecidos porque os sistemas de segurança não permitiram a pichação, eles resolveram vingar-se derrubando tudo, inclusive os servidores do Messenger. Foram embora ameaçando voltar pra derrubar o WYD, o Grand Chase, o Ragnarok e o Hero Online tão logo acabe a tempestade solar.
Vai dar no NY Times
A NSA (não confundir com a NASA) classificou como sendo terroristas as atividades venusianas na órbita da Terra, e invadiu o planeta vizinho seguindo uma pista de que, além da possível existência de armas químicas, como sprays de tinta, no local, Bin Laden também estaria escondido por lá.
Durante o ataque, a explosão de um artefato nuclear da Agência derrubou acidentalmente o Surfista Prateado e causou um pulso eletromagnético que neutralizou as células de hidrogênio que alimentavam os aparelhos de sobrevivência da mãe dos delinquentes pichadores de Vênus, a qual sofreu falência múltipla de todos os sistemas, sendo impossível reativar qualquer um deles. O desplugamento acidental causou uma onda de protestos e manifestações violentas seguidas de saques, e a embaixada norte-americana no Taiti foi incendiada por grupos armados ligados ao Khmer Vermelho na Dinamarca.
Em Plutão, onde a população ainda está revoltada porque o antigo planeta foi rebaixado à categoria de anão, donas-de-casa saíram às ruas com cartazes e faixas protestando contra a iminente chegada da "nave imperialista" New Horizons, aos gritos de "FMI Go Home", "Internet Já!" e outras palavras de ordem do DCE do P.
A Associação dos Supernerds Neonazistas de Cacimbão da Areia divulgou uma nota de apoio às ações da NSA, afirmando ser "um absurdo que, depois de bugar o MSN, os vândalos alienígenas queiram também derrubar o WYD, justamente quando vai haver evento de triple drop de Poeira de Lac", e afirmaram em rede nacional que "se o lag piorar, vai ter peixeira no bucho dos venusianos".
A ONG "Peixeira Nunca Mais" criticou duramente a nota da ASSUNECA e teve sua sede crivada de facadas durante a noite. Um policial da delegacia em frente, que pediu para não ser identificado, disse que não viu nem ouviu nada, e que tudo não passa de boato, apesar de o prédio ter sido completamente depredado.
O policial afirmou à reportagem que não tem MSN e tem raiva de quem tem.
A verdade
Descobriu-se que o ataque de alienígenas não passava de um golpe publicitário do marqueteiro Duda Mendonça para encobrir as atividades de George W. Bush no Oriente Médio.
Segundo fontes não-oficiais, Hillary Clinton e Barak Obama estariam preparando tumultos da Ku Klux Klan na Síria para justificar uma invasão em larga escala daquele país pelas forças de Israel. A tática incluiria atacar simultaneamente o Irã a partir da frota norte-americana ancorada no Golfo Pérsico, aproveitando falsos atentados xiitas orquestrados por Fidel Castro no norte do Paquistão.
A Índia, revoltada com os atentados, atacaria, por engano, as bases dos Carecas do ABC no Tadjiquistão , abrindo as portas do Norte da China para a entrada das forças dos EUA, que criariam uma base em Katmandu para explorar as imensas reservas de gás e petróleo da região e estabelecer um oleoduto que iria em linha reta desde o sul da Mongólia até o Mediterrâneo, passando pelos países aliados e pelos ocupados pelas forças da Coalizão. As revoltas teriam ainda o apoio tático da Al-Qaeda, já que Osama Bin Laden tem interesse em ajudar os EUA, na tentativa de receber o dinheiro que emprestou ao presidente Norte-Americano quando George Bush filho quebrou, pela terceira vez, a companhia petrolífera da família.
Segundo uma fonte diplomática que não quis se identificar, a queda do Messenger teria sido causada pelo uso indevido de cartões corporativos.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Queimei a pizza de novo
A questão das prioridades é realmente determinante: escolher a prioridade errada é fatal para o objetivo almejado.
É necessário aprender a manter o foco para não queimar a pizza.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Aninha
Aninhar: de ninho
v. tr. - pôr em ninho; acolher; agasalhar; esconder; v. int. - fazer ninho; v. refl. - agachar-se; esconder-se; fig. - meter-se na cama.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Cabo Branco
Voltei mais pesado: quilos e quilos a mais de mim mesmo, bebidos na fonte.
Pai e mãe são mesmo ouro de mina. Que vivam pra sempre! Vivam os manos, os amigos, as pessoas maravilhosas do planeta. Que voltem sempre!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Os blogs dos outros
"Os ventos que às vezes nos tiram algo que amamos são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar. Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e, sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre".
- Sarah M.F.
Nem lembro mais como é que Sarah foi parar na minha lista de amigos; na verdade nunca a vi e, durante todo o tempo em que a conheço, pouco menos de um ano agora, devemos ter trocado três ou quatro scraps. E, no entanto, Sarah, como tantas outras almas soltas por aí,
ocasionalmente fala com a voz dos Mestres e, ao falar-me hoje, fez-me ajoelhar e rezar pelo meu presente e pedir pelo meu futuro.Quantas Sarahs me falaram a vida inteira, me falam agora? Qual Sarah me fará manter, permanentemente, os ouvidos abertos, os olhos abertos, a mente quieta e o coração pensante?
"Quando o estudante estiver pronto, o Mestre virá". "Estar pronto" pode muito bem não ser algo definitivo, como a Iluminação. Pode-se, e felizmente ocorre, "estar pronto" às vezes, para coisas específicas, após uma preparação que pode ser mais ou menos breve. O importante é estar atento, perceber, refletir e exteriorizar.
"A Oração é uma ponte entre Deus e o Homem". Por um ou por uma série de motivos, ou sem motivo aparente, acontece de ficar-se constrangido diante da idéia da oração. Entretanto, pode-se orar dos mais diversos modos, e não é necessário ater-se a um modo em particular. Ore-se do jeito que se desejar, e, amanhã, ore-se novamente de outra forma, conforme o estado de espírito: quantos tipos de pontes podem existir?
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar.
(Gilberto Gil)
Todas as vezes em que alguém se vê cara a cara com o Infinito sente a necessidade de externar seu momento de iluminação. Essa é a grande virtude da luz: ela busca propagar-se.
Os blogs dos outros, as canções, os scraps, os posts, as mensagens, os livros, os textos, os filmes, as imagens, frequentemente contêm a fração exata de luz que o autor pode externar após uma experiência assim. São fragmentos de luz, fótons num mar de cores.
Ser o Estudante é minerar, entrever e sublinhar, nos blogs dos outros, o que complementa o seu próprio fóton.
Curiosamente, o Mestre é a própria Luz.
sábado, 27 de outubro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Beleza
“O espetáculo dessa uniformidade universal me
entristece e me gela, e sou tentado a ter saudades da sociedade que não mais
existe. É natural que o que mais satisfaz os olhares desse criador e desse
conservador dos homens não é absolutamente a prosperidade singular de alguns,
mas o maior bem-estar de todos; o que me parece uma decadência é, portanto, a
seus olhos, um progresso; o que me magoa, lhe agrada. A igualdade é menos
elevada, talvez, porém é mais justa, e essa justiça faz sua grandeza e sua
beleza. Procurei então me erguer até essa altura da contemplação divina, para
daí olhar e julgar os cuidados e as penas dos homens”TOCQUEVILLE, 1989, p. 363).
A Beleza pode caminhar ao nosso lado por um caminho bucólico, iluminando a noite como se fosse a Lua; pode rir e encher de cor o dia; dar-nos um beijo e uma carícia. Ou pode caminhar adiante, sem esperar, para demonstrar dúzias de coisas ou sabe-se lá o quê.
Não há diferença entre a beleza que anima e a beleza que fere: um dia serão a mesma Beleza, para o bem ou não. Aquela mesma Beleza volta e caminha ao nosso lado, e seu perfume fere a noite; seu silêncio acinzenta o dia. Ela nada demonstra, e é o reverso do Amor:
C’est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m’aimais et je t’aimais
Nous vivions tous, les deux ensemble
Toi que m’aimais moi qui t’aimais
Mais la vie sépare ceux qui s’aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable les pas des
amants désunis.
(Jacques Prévert)
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Conhecendo o Eu interior

Existem segredos nossos que até nós mesmos desconhecemos, ou preferimos evitar conhecer. Quando esses segredos parecem guardar alguma relação causal relevante com eventos importantes em nossas vidas, chega a hora de lidar com eles e, para tanto, é necessário deles tomar conhecimento.
Imbuído de toda essa retórica filosófica e convencido, pela pancadaria dos eventos, de que a hora dos meus segredos chegara (banzaiiiiiiiiii!!!!) cedi à recomendação antiga de Claudia, à pressão de seda de Ana e ao apoio de Vera (curiosa, essa força delas) e procurei um profissional desses que, não à toa, são conhecidos nos EUA pelo singelo substantivo-adjetivo "shrink", aqui "psicólogos". A idéia era conversar, me abrir, acessar meu eu interior e todo o conjunto de assertivas neoterapêuticas.
Pois sim.
Logo ao chegar à clínica, um cidadão atento destrancou o alto portão de alambrado para que eu pudesse entrar e perguntou: -O senhor vai fazer consulta ou visita?
Desligado que sou ("consulta", eu disse), nem percebi as implicações da pergunta e, candidamente, adentrei o espaçoso hall, dotado de uma decoração agradável e de muitos sofás de aparência confortável. Fui atendido simultaneamente por duas recepcionistas que poderiam muito bem estar na base do Carro de Apolo. Muito gentil, o Dia assumiu o cadastramento do meu lado socio-econômico-profissional e o controle do meu hipocampo, enquanto a Noite, igualmente gentil, cuidava dos aspectos burocráticos relativos à minha pessoa física e capturava meu sistema límbico. Disseram-me que o médico iria atrasar o meu atendimento, pois cuidava de uma internação. Eu devia ter captado essa também, mas estava distraído. Só comecei a acordar quando, após as informações de nome, endereço, telefone e nome dos pais, a Noite me perguntou:
-Nome do responsável?
Pasmei.
- Hein? Desculpe, nao entendi. O responsável por mim? (boca aberta, dedos da mão direita no peito e sobrancelhas em riste, olhando por cima dos óculos)
- Humrum. (cara de "claro, imbecil, quem tem problemas mentais aqui é você")
- O responsável sou eu!!... (cara de "tá pensando o quê?")
Ainda estupidificado, perguntei: -Existem mesmo pessoas da minha idade que chegam aqui como eu cheguei e que têm outras pessoas como responsáveis?
- Humrum. Tem sim.
Ato contínuo, quod erat demonstrandum, um garoto de, digamos, uns 26 anos, caucasiano, de camiseta e shorts bonitos, cabelo bem cortado mas com uma cor de pele sem brilho que me fez lembrar os tanques de formol da faculdade de Medicina, parou ao meu lado, olhou-me fixamente de forma amigável e me estendeu a mão. Nem pensei duas vezes: apertei firmemente a mão tão simpática: -Oi, tudo bem? - Tudo bem.
Instruído pelas Apolíneas a aguardar na sala de espera, levei o que sobrou do meu neocórtex para o hall e passei a olhar tudo com mais atenção. Um casal sentava no sofá do fundo: a mulher parecia apreensiva, mas o homem que fumava e conversava com ela estava definitivamente em algum outro lugar. Uma senhora solitária parecia envolta em uma aura de ferro. Outros dois viam TV em uma sala separada, e pareciam bem confortáveis em seus pijamas.
Com uma sensação remota de koyaaniskatsi, resolvi tomar um chá pra ver se achava o meu planeta. O sujeito simpático brotou novamente do meu lado e disse: - "Ponha 70% de café e 30% de chá. Não cabe no copinho pequeno". Inferi que "70%" equivalem a uns 70 ml. Evitando contrariar meu novo amigo, fiz o que ele disse; e não é que ficou bom mesmo?
O sujeito eclipsou-se de novo e fui tomar o chafé na sala de TV, vendo o noticiário. Meus dois colegas de sala me olharam como a um verme e me esqueceram. Um jovem esguio e bem vestido, que parecia ser um profissional da clínica, veio e cumprimentou efusivamente os dois, ignorando-me totalmente.
Outro rapaz em shorts e camiseta sentou-se ao computador no canto da sala e começou a digitar um e-mail, enquanto limpava a garganta. E limpava com mais força. E mais forte. E ainda mais forte. Num crescendo, aquilo que começara com um simples "hum-hum!" transformou-se em um rugido respeitável, digno do melhor barítono das savanas quenianas ou das florestas canadenses e, quando eu me preparava para largar o escudo e salvar a pele em desabalada fuga, surgiu um cidadão de camiseta e músculos que perguntou docemente ao rapaz algo como "o que há, Fulano?" -- ao que o jovem levantou-se e saiu conversando placidamente com os músculos sobre sei lá o quê.
Foi quando percebi que havia telas de proteção em todos os vidros e janelas, o PC estava firmemente preso ao piso e a TV à parede, e notei a altura impressionante do alambrado que cercava a clínica. E eu tinha estacionado do lado de dentro!! Como explicar à dona do carro que o automóvel dela tinha ficado na terapia intensiva?
Estudando as possíveis rotas de fuga, notei que uma moça da clínica conversava no hall com um rapaz tatuado e forte. Ela dizia: -"Eu nunca pego o telefone dos homens; prefiro dar o meu telefone a eles". E o cara: -"É, eu também". E a moça: -"É que, se ele tiver interesse, vai ligar; se não tiver interesse, não vai ligar, entende"? E o cara: - "É". Devo confessar que a lógica do raciocínio me escapou totalmente, prejudicando de vez a minha auto-avaliação psicológica.
Lembrei que, há muito tempo atrás, fui a uma clínica de pneumologia para consultar um médico sobre uma tosse que me incomodava. Ao examinar-me, o médico me perguntara: -"Trouxe suas coisas"? E eu: - "Hein, como assim, minhas coisas"? E ele: - "É, você apresenta um quadro grave de bronquite asmática, e terá que ficar internado por quinze dias. Telefone para informar ao seu trabalho e ligue para casa para que alguém lhe traga suas roupas e outras coisas". E lá fiquei mesmo, vendo o povo morrer durante a noite e aturando a enfermeira acender a lâmpada de 300 kilowatts na nossa cara a cada três minutos pra enfiar uma bruta seringa em alguém.
Essa lembrança me deu o recado final. Pensei: - "Putz, se esse médico perceber só um pouco, vou ficar morando aqui". Saquei a chave do carro, esforçando-me para comportar-me como uma pessoa normal. Fechando as asas que se abriram dos meus calcanhares, caminhei compassadamente por entre rostos picassianos até o estacionamento, cliquei no alarme e liguei o carro. Surpreendentemente, o cara da Gestapo abriu a ponte levadiça sem qualquer pergunta e me deixou sair.
Em pouquíssimos segundos o motor 1.0 fez 80 Km/h e, antes que eu pudesse piscar os olhos, estava buscando abrigo num Schhoppinngg Scenntterr do Lago Norte, com todas as implicações psicossociais que isso possa conter. Caminhei por entre as pessoas, mesas, lojas; entrei pra olhar brinquedos; pedi sushi e sashimi com missoshiro num lugar chamado Haru (Primavera) (eu devia ter notado isso também) e sentei-me na praça a céu aberto com a Folha de São Paulo na mão; fiz quatro ou cinco telefonemas de trabalho e outras tantas chamadas pessoais, com todas as demais implicações. Tudo parecia normal. Devidamente assegurado de que ninguém tinha denunciado a minha fuga, respirei.
Na hora não pareceu engraçado.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Ordem
Sou triste, quase um bicho triste
(Caetano Veloso, " Mãe")
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Técnica x Força
Este vídeo mostra Victor, em seu combate final durante a II Copa União de Judô, em setembro/2007, quando sagrou-se campeão invicto de sua categoria. Venceu a primeira luta por ippon em 4 segundos e a última, também por ippon, em 10 segundos. Observem a agilidade nas esquivas e a garra para manter-se de pé diante de um adversário que adota o estilo europeu (privilegiando o uso da força e do tamanho). Notem também o aproveitamento da oportunidade e a perfeição do contragolpe. Detalhe para a fúria do vencido, que achava que ia ser fácil, e para o feliz e inesperado cumprimento final. Pena que a baixa resolução do filme não permita que vocês vejam o sorriso de vitória do campeão e a expressão do juiz após o cumprimento. Impagáveis.
Victor está usando kimono azul.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
O Tempo do Amor
Por seres tão inventivo e pareceres contínuo
Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo quando o tempo for propício"
(Caetano Veloso, "Oração ao Tempo")
O que pode ser mais precioso do que uma pergunta assim:
- “Quando você virá de novo?”

E: - “Eu queria que você ficasse só mais uma semana”.
Pois essas foram as palavras usadas pelo intrincado labirinto da Natureza para me confortar: com a voz do meu pequeno filho, o Criador me disse: -“Recebe de volta o amor que deste”.
Somente Deus mesmo pra nos falar assim, em dolby surround stereo, diretamente ao nosso coração, mente e alma. Quando se diz que Deus é bom, nem se faz idéia de quantas interpretações essa frase pode ter, inclusive relativamente à Sua Capacidade Técnica.
Em pouco tempo abraçarei meu pequeno novamente; juntos, então, desafiaremos outra vez as ondas da Praia do Poço, salvaremos os peixinhos abandonados pelos pescadores e compraremos todos os sorvetes, pirulitos e amendoins que passarem, enquanto desfrutamos o grande amor que nos cerca.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Oração
Senhor,
Meu filho é puro, e por isso pode refletir a Luz sem mácula.
Ele é mais uma Tocha na escuridão,
e poderá iluminar o caminho para outros homens.
Protege Teu luminar, Senhor, porque ele ainda não sabe que é luz
E nem sabe como a luz é frágil.
Carrega-o em Tuas mãos como fizeste a mim,
Guarda-o,
Conforta-o
Sê seu manto e adaga, seu cajado, sua cabana.
Permite que ele diga Tuas palavras,
Que ele derrame Tua Luz sem cessar,
Ama-o e ajuda-o, que ele há de ser para Ti um altar.
Cultiva o seu coração, abre suas asas,
Mas afia suas pequenas garras, Senhor, para que ele defenda o Teu Templo.
Dá-lhe o poder magnético do Amor, que anula a escuridão.
Faze com que seu sono seja calmo e sossegado,
E que ele sempre seja capaz de ouvir os Mestres.
Eu o amo como amas a mim, e como Pai o conheço e sei que é bom.
Em nome da Verdade e da Justiça
Aqui deixo meu coração sem medo e confiante do Teu Amor.
Assim seja.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Boa sorte
(Beto Guedes)Viagens de buscar
Hoje a noite serenou
Risadora
Ela vai embora ao nascer do sol, seguindo seus irmãos. Depois disso o sol e as risadas terão algo em comum; e no quarto escuro não vibrará qualquer som.
Who is Clark?
Meu nome estala. Embora tenha sido um cavalo durante a vida inteira, tenho lembranças de ter sido uma outra coisa, em um outro lugar.A mesa é fria, a sala é fria, a luz é fria. Um motor zumbe e levanta minha mão, como se não fosse minha.
Minha mente esquadrinha minha mente com um pensamento alheio enquanto novos motores zumbem e dezenas de câmeras estabilizam a massa de plástico e circuitos impressos que se ergue como se não fosse eu.
Meu nome agora estala. Quando eu tinha um nome macio, eu poderia ter sido uma coisa da Humanidade. Isto não é um cavalo. O que será?
Venha cá, rapaz. Deixe-me olhar pra você. Você é um orgulho, mas pecará contra si. Eu o verei muito tempo depois, muitas vidas depois, terra desolada, lamentando sua perda. Nessa ocasião você verá a face da Esfinge e a desvendará através de seu próprio enigma. Você desejará ter estado mais próximo, e a iludirá com a miragem da sua presença.
Lave-se, proteja o menino. Seu tempo passou: é sua vez de se indignar.
sábado, 25 de agosto de 2007
O que há de novo?

Por falar nisso, ontem foi um dia de descoberta: a torta da Famiglia Morelli foi um caminho novo para o Nirvana, e pena que não seja possível comer o suficiente pra chegar lá. Mas é por ali também que se vai.
Hoje é dia de trabalho. Então, larguemos por enquanto o lado light da vida e labutemos nas coisas já descobertas e seguras. O trabalho é uma dádiva e graças a ele também se alcança o paraíso. Ele nos dá a tranquilidade necessária para bem aproveitar a oração, essa ponte entre o Homem e o Cósmico.
Pater noster qui es in coelis, sanctificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua sicut in coelo et in terra, quid macroprosopis, quid microprosopis. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie et dimmite nobis debita nostra sicut et nos dimmitimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem sed libera nos a malo.
Assim seja!
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Espaços
Noto com prazer que novos espaços são criados; lugares que não existiam antes, e que já nascem preenchidos por doçura, ternura, afeto e por uma nova composição muito suave. É um novo trabalho, nova trilha.
Onde vai dar?
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Filha
O que ela vai fazer quando acordar? Poderá vir, na ponta dos pés, olhar o meu sono e ficar ali a me olhar, com a respiração contida; poderá entrar embaixo dos meus lençóis e aninhar-se em mim até me acordar com um beijo; ou, moleca, cairá na risada enquanto me faz de cama elástica, esperando que eu a pegue e diga: "ah, é assim? " e a derrube e cubra de beijocas e cócegas, rolando na cama entre declarações de amor.segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Trabalho e prazer
Devido à pertinente reclamação feita por Beth ("pra quê viajar tanto?") senti-me obrigado a explicar minha ausência de Brasília e também:1 - Por quê perdi o espetáculo "Disney Para Piano e Voz", com coreografia assinada por Kaio, que lotou a sala Villa-Lobos do Teatro Nacional por duas noites seguidas, e que eu esperava ansiosamente?
2- Por quê faltei ao encontro da Comunidade dos Apreciadores de Vinho de Brasília, desta vez hospedado na casa de Elizabeth, onde, eu soube, rolou um caldo verde de fazer inveja a qualquer gourmet? e
3 - Por quê declinei do convite pra um chopinho com Mônica pra atualizar assuntos de família?
Ocorre que, pra manter a vida mansa e boa, é preciso trabalhar. Assim, tive de encarar dez dias seguidos de muito frio em SP, mudanças diárias de apartamento e de hotel, alterações de vôo, piqueniques solitários no F1 da 9 de Julho e muito trabalho – este, felizmente, com as pessoas mais bem-humoradas do biz. Fizemos um pusta trabalho de equipe, brainstorm todo dia, reuniões de estratégia, quinhentas revisões de três papers (ih, jargão da moda) e brigas diuturnas com a bendita impressora Xerox Workcentre 415 PRO/420 XL, que é mais complicada do que o nome sugere. Finalmente concluímos o trabalho e chamamos isso de um dia (“called it a day”, entendeu? ^^).
Concluída a tarefa do domingo, por volta das 20 horas fomos almoçar um poulet au purée des pommes de terre (ué, resolvi dizer isso em francês; iiiih...) com legumes ao vapor, no Senzalinha. Comi feito uma anta, o que me obrigou a deixar o pesadíssimo equipamento de trabalho no hotel e fazer uma caminhada. Moreover, não achei personne, personne! na internet.
Admito: a idéia da caminhada estava associada a outra idéia, de conhecer um pub irlandês que vi na Peixoto Gomide e cujo nome desisti de tentar lembrar. Assim, fiz a agradável caminhada pela Barão de Capanema, subi a Peixoto e bonk! a cara na porta trancada do desabitado pub. “E agora?”
O jeito foi descer a ladeira de novo em busca de outro lugar potencialmente barulhento e com boa cerveja. Após um curto momento de pânico na Avenida Estados Unidos (não tinha vivalma na rua!), tomei de novo o rumo certo e babei todas as vitrines dos antiquários da Rocha Azevedo, ao ponto de despertar a curiosidade truculenta dos seguranças dos prédios vizinhos. Sem dar pelota aos negões de terno escuro e cara de Apollo Doutrinador, continuei babando as lojas até chegar à Barão de Capanema outra vez, quando o velho sentido de aranha fez bip: - vai por ali!! Contrariando a rebeldia lusa de José Régio, obedientemente percorri a Rio Preto até a Oscar Freire - e zás!, dei de cara com a acolhedora entrada do Santo Grão Café, cheio de gente vestida de preto, com longos cabelos negros e cara de conteúdo.
Sentindo-me em casa, entrei (todo de azul!) no café e refestelei-me (ah, vai dizer que não lembra de "refestelei-me") no confortável bar que separa o discreto e elegante povo de preto do outro povo, mais colorido e menos cabeludo, e que não entrou, ou já saiu, da egotrip de fazer gênero (orra, meu, dava pra fazer um comercial de café do Quartier Latin com o povo de preto. Fiquei esperando Andy Warhol entrar).
Pedi o fantástico café mineiro que ganhou o Cup of The Season de 2006, não sem antes brindar à glória da Criação com uma geladíssima Baden Baden, repleta do sabor cristalino das águas de Campos do Jordão, duas recomendações feitas pela jeune ètoile que, ao me atender, gentil e despretensiosamente me instruiu na cultura nativa.
Saboreei tudo devagar, Cup, Baden, ètoile, aquela música tão indefinível quanto nosotros convivas, a quietude das vozes e os aromas. Finalmente, com o café fechando e eu quase virando abóbora, saí e fiz a caminhada inversa, tendo o cuidado de passar antes pelo Pão de Açúcar e comprar uma caixa de chocolate com menta e outra de chá de cidreira.Na recepção do hotel, tudo era sossego e good mood. Dividi as mentas com o recepcionista, subi e preparei o chá, antecipando a alegria de viver tudo isso outra vez. O laptop se encarregou de fazer com que eu vivesse três vezes, já que apagou o post inteiro quando eu estava pra concluir. Repeti e curti muito de novo.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Sweet Hearts
Hoje é um dia de aniversário. Nem tem nada a ver comemorar esse, mas hoje também é sexta-feira; e foi um dia particularmente cansativo no trabalho.Estou há uma semana em São Paulo, com bagagem suficiente pra apenas dois dias. Os sucessivos adiamentos me impediram até de mandar lavar roupa. Tive que ir ao Carrefour duas vezes pra comprar mais algumas coisas pra vestir; assim, hoje aproveitei pra visitar a bela adega do supermercado, na Pamplona. Lembrei que amanhã tem encontro da comunidade do vinho em Brasília e comprei um vinho espanhol, um Rioja 2004. Bom! Trouxe já aberto pro quarto do hotel, juntamente com (aff) um peso de roquefort, um Brie, uma pera, um saquinho de amendoim, outro de castanhas do ceará e uma caixa de Bon Gouter, que se juntaram à caixa de Polenguinho de ontem pra compor a mesa de jantar mais eclética desta grande metrópole que são as sextas-feiras.
Depois de pegar uma briga feia com a rádio do Skype, que insistia em tocar rock, desisti e abri o Musicovery: não dá pra escolher exatamente o que se quer ouvir, mas é melhor do que rádio bugada.
Um bom banho expulsou meus yah-yahs, e finalmente tá tocando música civilizada na WebRadio. Não que eu não goste de rock: gosto muito mesmo, mas rock tem hora. Agora tá rolando Norah Jones e, em seguida, vai tocar alguma coisa de Diana Krall. Bom!
Sinto falta de pessoas que eu ame. Amar e dar amor é muito muito muito bom!
Pensei em seguir o bom conselho de Ana, que me ligou de Honduras pra me ordenar que eu me divertisse, e ir ao cinema ou a algum pub; mas ficou tarde pro cinema, e que raios eu vou fazer num pub sozinho sem estar nem um pouco a fim de entrar na lengalenga do ignora-rudemente-mas-paquera em que se transformou a humanidade?
Putz! Por falar nisso, lembrei-me da folcloríssima figura Ricardo Tolete, sanfoneiro de Lampião, que, numa noite iluminada diante do glorioso portal do Theatro Santa Roza, há muitas vidas atrás, me cutucou e apontou disfarçadamente pra dois caras que estavam parados a alguns passos de distância, perscrutando a natureza feminina solta na buraqueira da noite paraibana: com vaticínio soberano, o querido Ricardo sanfoneiro disse que tava escrito na testa dos dois primatas, e tava mesmo, "quero comer b*****". Lembrei até do gesto feito com dois dedos e levado até a testa, que ilustrou aquela memorável fala.
(Pronto: Norah resolveu cantar "What Am I to You": a peste tinha que aparecer na minha cômeimouração! Que tipo de animal sem vergonha na cara sou eu? Felizmente fui salvo pelo gongo por um tal Lee Scratch Perry, cantando um reggaezinho jamaicano balançado, "Why People Funny", que trouxe de volta o alto astral. Bom!)
Depois de uma semana de frio incrível, fez sol hoje o dia inteiro na cidade dos paulistas. Liguei o ar condicionado enquanto o rádio subia de novo graças ao baixinho Michel Petrucciani.
Não sei como terminar este post. Na verdade não queria despedir-me do querido diário: gosto de conversar sobre mil amenidades por segundo. Um blog é boa companhia. Abraço!
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Vermelho
O que é essa timidez que parece subserviência? Por quê essa cara no espelho do elevador? Ela me fazia tanto bem; e agora me deixa assim, triste, envergonhado, tímido, infeliz. Falar com ela é bom, mas a ressaca é péssima. Ainda falta administrar isso.
terça-feira, 31 de julho de 2007
Terra, 2007 A.D.
De Brasília, minha nova amiga muito querida me manda um torpedo de puro afeto: eu estou melhor? Tomei o chá? Penso em como é bom estar com ela, estar na memória e na pele dela, ela pensando em mim.
Pela WebRadio, Chick Corea me presenteia, sem saber a quem, com uma inacreditável polifonia espanhola, fazendo meus elétrons passearem pela Ibéria inteira em poucos segundos.
Lá fora, São Paulo me acena com seu beijo gelado de noite estrelada, e retribuo com um gesto de Malbec 2005, com sabor de Mendoza.
Há poucos instantes, um filhote abandonou o game pra me atender ao telefone, falando-me com a alegria de quem me espera.
É muito bom estar aqui.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Atento e forte
domingo, 29 de julho de 2007
Aprendizado
Aprender a ler todas as línguas, mesmo sem dominar a todas; distinguir as cores dentro das cores; conhecer os ritmos e suas origens; distinguir o oboé e a viola dentro da orquestra: isso é ouvir quando o Criador fala; é ler os manuscritos da Mente Universal espalhados por toda parte.
Distribuir o que for viável. Receber sem constrangimento. Beber só pelo paladar. Amar até cair. Despencar com elegância. Renascer como quem emerge do mar.
A Blossom Fell
(Nat King Cole)To dream forever
sábado, 21 de julho de 2007
Amanhece
Enfim, enfim, enfim, a luz.
Em breve restará do frio apenas a carícia do orvalho, atestando que tudo passa e que apenas o que é belo permanece na memória.
Bem-vinda tu, Terra, Água, Fogo e Ar. Que a Paz seja sobre ti, a Luz seja tua, a Vida cubra a nossa superfície e as fontes cantem novamente em um tom maior; e que, libertada, a alma do Homem aqueça, cintile, mova as árvores e abrace novamente o Universo, como se abraça um irmão querido a quem há muito tempo não se via.
Nascente
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Coisas que amo
Adoro ver criança feliz, passeando com os pais. Adoro ver pessoas ansiosas no aeroporto, esticando o pescoço pra ver outras pessoas que chegam, antecipando o abraço e o sorriso. Adoro o calor humano do meu colega de avião, a solidariedade da moça que espera até que eu consiga tirar minha bagagem e sair da frente. Amo ver o sol e ver as pessoas espalhadas na grama recebendo toda essa energia. Pássaros. Entardecer. Boa música, vinho, queijo, perfume de madeira e alma boa.Gosto do orvalho nos pés. Da atenção da amiga tão boa que eu nem mereço. De preguiçar no domingo. De abraço. De sonhar. De querer, com força, ser feliz.
Arreda, peste!
Desprezo, menosprezo, desdém, agressões comuns e atípicas, repetidas a curtíssimos intervalos, nada disso deu resultado: ela continuava lá. Por fim, chutou o pau e a barraca, arrasou estradas, explodiu pontes e queimou navios; apagou com um aceno o presente e o futuro e, contra toda a minha resistência, entrincheirou-se nalguma das minhas poucas sinapses neuronais. E pronto: volta e meia, é ela!, de novo em cena, em campo, na raia, no tom, em toda parte, como uma Guardiã do Umbral, como uma nevralgia generalizada, me contar como a vida era e como poderia ser. Assim não dá.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Amigos batem duro
Minha amiga pedagoga e psicóloga me disse outro dia, com aquela alma carioca que ela tem, que a minha necessidade de ir à Catedral e aproveitar pra ser abraçado irmanamente foi pautada por uma extrema carência afetiva, dessas que aproximam as pessoas da religião. Disse isso na minha cara, como quem dá uma travesseirada. E doeu! Mas amiga é pra isso mesmo, pra acordar a gente. quinta-feira, 21 de junho de 2007
As Vozes da Voz
O Criador nos fala continuamente através de Sua obra. Uma de Suas vozes, posta no meu caminho por Sua infinita bondade, me mandou uma mensagem por e-mail, contendo uma citação que, parece, é de Fernando Sabino. A notação léxica corre por minha conta."De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que é preciso continuar; e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.
Fazer da queda um passo de dança;
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro;
Fernando Sabino, do livro "Encontro Marcado"
(*12-10-1923 +11-10-2004)
terça-feira, 19 de junho de 2007
A verdade é mais prática do que a mentira
Achei tão boa que resolvi copiar para este modesto blog uma bem-humorada crônica do jornalista Fernando Bonassi, em que o autor trata da praticidade da verdade e de matérias afins. Extraída do livro "As Melhores Vibrações", de Fernando Bonassi. Tim-tim.Você acredita no que ouve?
Costuma-se acreditar por aí, pelo menos da boca pra fora, que verdade é melhor que mentira... Isso, é claro, supondo que todos nós saibamos sempre o que é uma coisa e outra. Tentando o impossível, isto é, não entrar no mérito moral de um lance como esse, diria que a verdade é mais prática do que a mentira.
Explico: o bom mentiroso, por mais inexperiente que seja, sabe que mentira requer produção. Boa mentira tem drama, surpresa, urgência, emoção, colorido. A verdade nem sempre precisa de tanto brilho para ser aceita.
Mas espere: brilho também não é tudo. Como a clássica reportagem jornalística, a mentira precisa responder aos quesitos "quando", "onde", "como" e "por quê" de forma limpa, clara e direta.
Trocamos um bom e velho jogo da verdade pela história mais fabulosa, desde que ela nos tire da vida besta em que nos colocamos no dia-a-dia. Por essas e outras, o "álibi-fone", instalado no Hoff Bar, dá o que falar, embora melhor seria dizer "dá o que ouvir". Os proprietários do lugar instalaram uma cabine especial que permite ao usuário dar as suas "boas desculpas" embaladas por uma sonoplastia de alto nível.
Trata-se de uma cabine telefônica com tratamento acústico, de forma que a eventual bagunça de fora não invada o incauto ou incauta transgressora (que malandragem não é patrimônio masculino).
Ali, ele ou ela pode sacar o celular e escolher entre as quatro opções de sons de fundo disponíveis no momento: trânsito, obras, metrô e parque, que os usuários apelidaram carinhosamente de Ibirapuera. Esse último, aliás, o mais arriscado: há pássaros cantores demais para as áreas verdes do pedaço.
Não sei muito bem como a "guerra" pode ajudar o mentiroso local, mas quem precisa de mais tempo longe dos olhares da parceira ou do parceiro pode muito bem dizer que foi ao Líbano ou Colômbia, sei lá.... Cada um inventa o que melhor lhe convém ou, como já dissemos, o que mais tesão lhe dê.
Por essas e outras, senhoras e senhores, muito cuidado com o que andam ouvindo por aí, especialmente com aqueles prosaicos ruídos ao fundo das ligações urgentes de vossos amores.













